Aluno dos Bombeiros que morreu após aula prática não tinha aneurisma, aponta laudo

Um laudo médico feito por um hospital particular de Cuiabá concluiu que o jovem Rodrigo Claro, de 21 anos, que morreu após participar de uma aula prática em uma lagoa da capital, não tinha aneurisma cerebral. O primeiro diagnóstico, de quando o jovem foi internado em uma Unidade de Tratamento Intensiva (UTI), apontava a doença vascular. Para a família, o laudo reforça a suspeita de que o jovem foi torturado durante as aulas.


Rodrigo era aluno do curso do Corpo de Bombeiros e morreu em novembro. Ele fazia aulas de instrução de salvamento, quando passou mal e foi encaminhado para uma unidade de saúde. O corpo dele foi enterrado em Sinop, a 503 km de Cuiabá, onde moram os avós dele.

O documento, assinado pelo médico Fábio Ridolfi de Figueiredo, concluiu que não havia evidências de malformações vasculares ou dilatações aneurismáticas no jovem. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) divulgou também divulgou um laudo. O resultado, no entanto, apontou que as causas da morte são inconclusivas. Um novo documento deve ser divulgado até o dia 15 de dezembro.

A família do aluno alega que houve tortura e omissão de socorro por parte do Corpo de Bombeiros. “Todos os alunos confirmaram nos depoimentos que houve sim excesso e uma série de afogamentos. O que queremos é tudo isso seja apurado”, afirmou a mãe de Rodrigo, Jane Claro.

Ainda segundo ela, no dia em que foi hospitalizado, o filho revelou ter medo de participar das atividades por ser perseguido pela tenente responsável pela prática. A tenente foi afastada do cargo e deve cumpri atividades administrativas até a conclusão do inquérito. Ela seria promovida, mas ascensão de cargo também foi suspensa.

A morte do jovem é investigada por dois inquéritos, um na esfera militar e outro na esfera criminal. Um advogado contratado pela família para uma investigação paralela, diz que a prática a qual Rodrigo foi submetido é ilegal. “Houve uma conduta ilegal. O que foi feito não é permitido. Os afogamentos têm que ter o propósito educativo, o que não aconteceu”, afirmou o advogado Júlio Cesar Lopes.

O caso

Rodrigo queixou-se de dor de cabeça durante a realização das aulas. O aluno realizava uma travessia a nado na lagoa e quando chegou à margem informou o instrutor que não conseguiria terminar a aula.
Em seguida, segundo os bombeiros, ele foi liberado e retornou ao batalhão e se apresentou à coordenação do curso para relatar o problema de saúde. O jovem foi encaminhado a uma unidade de saúde e sofreu convulsões.

No dia em que passou mal, Rodrigo enviou mensagens para mãe contando que estava com medo.Nas mensagens enviadas por um aplicativo de telefone, Rodrigo alerta a mãe sobre o que poderia acontecer. “Se você não conseguir, passar mal, sei lá. Até eles te pegarem e verem que você não está de corpo mole”, diz a mensagem.
Horas depois, Rodrigo volta a falar com a mãe e mandou a última mensagem antes de ser internado em coma. “Não consegui. Estou mal. Vou para a coordenação”, diz trecho da mensagem.

Do G1 MT

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