MT: Só Taques impede promoção de bombeira


Somente o Governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), tem poder de suspender a promoção da tenente bombeiro Isadora Ledur, investigada por tortura que pode ter causado a morte de aluno durante treinamento.


A promoção está marcada para o dia 2 de dezembro, mesmo dia em que se formaria Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, que morreu na noite de terça-feira (15), depois de sofrer uma forte hemorragia cerebral.

Rodrigo passou mal na tarde de 10 de novembro, durante treinamento na Lagoa Trevisan. Mais de 35 alunos participavam do curso e confirmaram que, por diversas vezes, durante a travessia, Rodrigo foi afundado pela tenente que o forçava a ficar debaixo d’água.

Era puxado e salvo por três colegas. Não chegou a terminar o treinamento. Com muita dor de cabeça e vômito, foi mandado embora por superiores. Voltou pilotando sua moto até o quartel e de lá, levado para Policlínica, começou a convulsionar. Mesmo submetido a cirurgia de emergência, para drenar o sangue do cérebro, não resistiu.

A família de Rodrigo acusa a tenente de tortura, pois o jovem já teria relatado à mãe que ela a perseguia. A ponto dele dizer que estava com medo do treinamento na lagoa, pois sabia que seria comandado pela tenente Isadora. Acusa ainda a instituição pela omissão de socorro ao jovem.



A promoção da tenente depois de tudo que aconteceu é mais um motivo de revolta para a mãe de Rodrigo, Jane Patrícia Lima Claro.

“Meu filho não vai estar lá, para se formar na profissão que ele tanto sonhava seguir, como o pai. E ela, apesar de tudo o que fez, vai estar sendo premiada”, desabafa.

Apesar do Comando do Corpo de Bombeiros se posicionar dizendo que não pode suspender a promoção da oficial, pelo fato da decisão ter sido tomada antes do início da investigação, advogado da família garante que isto pode ser feito.

Segundo Júlio César Lopes, o governador Pedro Taques tem o poder de suspender a promoção por “preterição”, até que seja encerrado o inquérito na esfera da Polícia Civil e Inquérito Policial Militar (IPM).

Caso ela seja inocentada, receberá os valores retroativos ao período em que a promoção foi suspensa.

Assegura que no caso de praças, aptos a promoção, ela é imediatamente suspensa, até a apuração de qualquer ato que envolva o policial ou bombeiro militar durante o processo.

Mas infelizmente o mesmo não ocorre com os oficiais. Mas garante que o estatuto prevê que a decisão pode ser tomada pelo governador. Lopes aponta que esta não é a primeira vez que alunos de cursos militares se ferem ou morrem durante treinamentos e que, invariavelmente os responsáveis ficam impunes.

Nas redes sociais o caso da morte de Rodrigo ganha cada vez mais destaque e a sociedade cobra mudanças, assegura o advogado.

A delegada Juliana Chiquito Palhares, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foi designada para a investigação na área criminal e o coronel Bombeiro Alessandro Borges Ferreira para o IPM. Ministério Público Estadual também acompanhará as investigações.

Laudos complementares sobre a morte estão sendo confeccionados pelo Instituto de Medicina Legal (IML), inclusive com exame histopatológico do cérebro de Rodrigo.

O objetivo é saber se ele possuía alguma doença pré existente que foi desencadeada a partir do esforço excessivo a que foi submetido.

Rodrigo foi sepultado na manhã de quinta-feira (17), na cidade de Sinop (500 km ao norte).

Outro lado – O secretário da Casa Civil, Paulo Taques, foi consultado sobre a possibilidade do governador suspender a promoção da tenente.

Informou que estava em reunião mas que posteriormente falará sobre o caso.

Gazeta Digital
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