"Não há mais o que negociar; já está na hora de encerrar a greve”

Marcus Mesquita/MidiaNews
Fonte: Mídia News

O secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, afirmou nesta terça-feira (19) que o Executivo “não tem mais o que negociar” com os servidores do ensino público estadual, em greve desde o dia 31 de maio, e que “já está na hora dos profissionais encerrarem o movimento”.

Taques disse que o secretário de Educação Marco Marrafon tem “conversado” diariamente com o Sintep (Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso) na tentativa de encontrar uma solução para os trabalhadores voltarem às salas de aulas.

“Ninguém precisa de greve agora. Os alunos que vão fazer o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] precisam voltar às aulas para se preparar. Eu acredito que o secretário Marrafon está conduzindo de maneira correta essa situação e os profissionais devem encerrar a greve o quanto antes. Esse é um momento de unidade e não de greve”, disse.

Na segunda-feira (18), o secretário de Educação informou que o Executivo já concedeu um reajuste salarial de 14,36% aos professores da rede pública estadual este ano.

Conforme Marrafon, esse percentual refere-se aos 7% previstos na lei de carreira e os outros 7,36% da Revisão Geral Anual (RGA), sancionada neste mês.

O secretário também já anunciou a realização do concurso público, com processo previsto para ser realizado neste ano e as nomeações em 2017.

Ele garantiu ainda adequações no projeto das parcerias público-privadas (PPPs) da educação estadual, comprometendo-se a não entrar na questão pedagógica.

“Mentira”

O presidente Sintep, Henrique Lopes, rebateu  a informação de Marrafon e afirmou que o reajuste de 14,36% é uma “mentira”.

Segundo ele, a reposição deste ano vai chegar a 9,36%, porque dos 7,36% da RGA referentes a 2016, somente 2% serão pagos neste ano, ficando o restante para 2017.

A única proposta aceita pela categoria é a do concurso público. Quanto às PPPs, eles pedem a revogação total do projeto.


A greve

Os servidores da Educação estão em greve desde o dia 31 de maio. No mesmo dia, outras 27 categorias do funcionalismo público do Estado também cruzaram os braços contra o não pagamento da reposição inflacionária, de 11,28%.

Além do Sintep, permanecem parados os servidores ligados à Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat) e ao Sindicato dos Técnicos da Educação Superior da Universidade de Mato Grosso (Sintesmat).

O Sintep não divulgou quantas escolas estão sem aula. No total, as unidades contam com cerca de 400 mil alunos.

A Justiça chegou a declarar o movimento legítimo.

A liminar, assinada pelo desembargador Juvenal Pereira da Silva, afirma que o direito dos servidores da Educação à recomposição salarial está previsto na Constituição.
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